NELORE JANDAIA: IDENTIFICADO PARA O LUCRO


Raysildo Barbosa Lôbo – ANCP

A seleção é fundamental para mudança do perfil da cadeia da pecuária de corte. Com a aplicação da seleção, bovinos mais eficientes são identificados para a reprodução de acordo com cada ambiente ou sistema de criação. Contudo, a lucratividade da pecuária depende de outros fatores que agem sinergicamente, como por exemplo: nutrição, sanidade, manejo e pastagem.

O processo de seleção começa e termina com o produtor, por isso, é necessário o engajamento de todos para o sucesso da atividade. Não basta estar inscrito no programa de melhoramento genético se o dever de casa não é feito!

O Brasil possui massa crítica de professores e pesquisadores em todas as áreas da cadeia produtiva. Assim, o produtor tem à sua disposição tecnologias para tornar a atividade lucrativa. Os órgãos de extensão e fomento e as associações de pesquisas levam ao produtor essas tecnologias, alinhando o propósito do ser humano de servir ao bem comum.

No contexto de selecionar animais geneticamente superiores, surgem algumas perguntas:

a) Para qual sistema de produção estou selecionando?
b) Quais características devo considerar no processo de seleção?
c) Quais os objetivos e critérios de seleção?

Procuraremos responder a essas questões de forma prática e objetiva. Antes, é necessário destacar um fator primordial para este processo, que é a qualidade das informações coletadas na fazenda e enviadas ao programa de melhoramento. Sem controle de qualidade dos dados e formação correta dos lotes de manejo não teremos valores genéticos confiáveis. Além disso, as Diferenças Esperadas nas Progênies (DEPs), ferramentas robustas de seleção, somente devem ser indicadas, para o mesmo sistema de produção, para diminuir os efeitos da interação genótipo-ambiente. As DEPs genômicas são obtidas a partir da combinação das informações fenotípicas, marcadores genéticos e genealogia. O MGTe é um índice de seleção bioeconômico que auxilia na identificação dos animais que deverão contribuir em maior medida para o lucro da fazenda.

Na prática, os criadores de gado de corte, normalmente selecionam para várias características ao mesmo tempo. A melhor decisão para esta situação é criar um Índice de Seleção, que resume a informação genética do reprodutor em um único valor comparativo para cada animal. Permite, também, a seleção de forma simultânea para as características, levando em consideração aspectos econômicos de cada uma.

A definição dos objetivos de seleção é o primeiro passo e consiste em identificar as características que devem ser melhoradas geneticamente por terem um impacto direto na lucratividade do sistema de produção. O peso ou importância econômica de cada característica no índice é dado pelo valor econômico. Para cada característica, dependerá do sistema de produção, mercados e relação de preços. Contudo, nem sempre é possível selecionar diretamente para os objetivos de seleção, uma vez que algumas características são difíceis e têm alto custo de mensuração, como, por exemplo, as características associadas à precocidade sexual das fêmeas, eficiência de conversão alimentar, de carcaça e carne. Neste caso, é necessário utilizar características indicadoras ou critérios de seleção. Por exemplo, para característica indicadora da precocidade sexual das fêmeas utiliza-se o perímetro escrotal dos machos. Para eficiência de conversão alimentar, utiliza-se o ganho de peso dos animais.